Menino Ivo

Lá pelas tantas da tarde é que aparecia a trupe de canelas raladas, cheia de barro e fome, atraídos pelo cheiro do café passado. A mãe botava os pães, queijo, manteiga, geleia e mandava todos lavarem a cara e as mãos antes de se sentarem à mesa. Era o que chamamos de uma escadinha de … Continue lendo Menino Ivo

Am Timan – O homem em si

Publiquei o que chamo de meu primeiro livro... Um homem tenta desvendar o mistério de seu rapto até uma cidade situada no deserto do Saara. Surpreendentemente descobrirá o quão ligado está este mistério a sua própria vida. É uma estória que põe em dúvida até onde o avanço tecnológico e científico realmente foi criado pela … Continue lendo Am Timan – O homem em si

A miséria humana

Há coisas que compreendo e outras que apenas, aceito. Não compreendo fazer filhos que não possa criar. Não aceito que exista algum prazer em furar fila. Não compreendo o estar sem ser. Não aceito o ser, ser e não estar. A miséria humana é algo visível, inaceitável e por vezes, incompreensível. Como aqueles que aos … Continue lendo A miséria humana

Entre nuvens

Assim parado no céu Entre duas nuvens Os transeuntes parando para ver Os transeuntes se esbarrando nos que parados, viam. Os trombadinhas trombando, tinham mais o que fazer. O trânsito engarrafou. Quase todos embasbacados com aquela aparição. Por um minuto esqueceram da vida. Esqueceram do câncer a ser tratado. Perderam o foco da entrevista de … Continue lendo Entre nuvens

O milagre

Chet Baker's trumpet, Los Angeles, 1953 Esses dias em que pede pra morrer dormindo, dias estranhos. Ele saiu resmungando, passou a mão no boleto sobre a mesa, andou algumas quadras e pegou um transporte público em direção ao shopping. O sol que batia no vidro da janela refletia bem sua cara de massa azeda de … Continue lendo O milagre

A fauna do deserto

  Josias mora numa casa pequena e velha, de alvenaria, sem reboco, telha de amianto, chão de terra. Ele, sua velha, filhos e netos. Não acompanhou essas modernidades que já fazem parte de nossas vidas. Não sabe o que é internet, tem pavor. Seus filhos já tentaram inúmeras vezes mostrar ao pai como ele poderia … Continue lendo A fauna do deserto

Um círculo de cimento queimado

Publiquei este texto em 24 de agosto de 2014. Republico, em homenagem ao meu pai querido José Maria de Vasconcelos que faleceu hoje. A única pessoa da "família" que, apesar da distância, eu realmente me importava, porquê soube ser gente de verdade.  Década de 70. Um jovem resolve sair de sua pequena cidade litorânea, onde … Continue lendo Um círculo de cimento queimado

Pra não dizer que não falei das flores

É exatamente por causa da imposição absurda dessa nojeira que ousam chamar de arte que não tenho menor sensação de que foram censurados os gênios da exposição do Santander (http://g1.globo.com/tudo-sobre/banco-santander-sa), exposição "atacada nas redes sociais", assim como as literalmente exposições teatrais "anais" de outrora. Segundo o dicionário do deus Google: Censura é a análise, feita … Continue lendo Pra não dizer que não falei das flores

O estrangeiro

Primeiramente, pobre, muito pobre. Muito ralo o caldo, sem sustância. Mas, não poderia abandonar e esculhambar sem experimentar. Mergulhei no caldo ralo, e, aos poucos, a panela levantou a fervura, mas, não engrossou o caldo. Para que me entenda melhor, quando o enredo o trouxe à berlinda eu queria que escapasse de cumprir anos de … Continue lendo O estrangeiro

Salgado

  O chiclete que perdeu o sabor? Chegou a hora do descarte. De um momento  para o outro todas suas certezas terão se tornado algodão doce sob a chuva. Implacável é a vida no quesito reviravolta, vida doce meu amor, tal como rapadura. Aquele que te admira hoje, amanhã estará te comparando. Você, que já … Continue lendo Salgado

Sobre omeletes, galos e quintais…

Nenhuma galinha bota o ovo podre. Ovo galado ou não sempre será vencido pelo tempo. Tem coisa mais fétida e inevitável do que a morte? O pinto, o galo, derrotados. A vida deve de ser uma busca incessante por um aconchego? Um teto que lhe proteja dos sol e chuva. Uma banheira quente ou uma … Continue lendo Sobre omeletes, galos e quintais…

Diga xis

Ah, a foto. Um dia faziam pose, de cócoras na beira do lago do Ibirapuera e os que viam sarreavam de suas origens, pois, parecia um padrão, um código dos cafonas, coisa de jeca. De lá pra cá os tipos de gestos foram ampliados e aderidos pela maioria.  Quase todo mundo tem um preferido. O "v" ou a … Continue lendo Diga xis

Tempo de chuva

Ele nunca percebeu a real utilidade daquelas datas. Considerava todas elas inúteis tal como o facão que riscava repetidamente a seringueira. Sua memória seletiva só guardava o que considerava sublime, valoroso, útil, único. Sabia a hora da chuva, do beijo dos sapos, da folia dos girinos. Sabia que o tempo nunca poderia ser realmente medido, … Continue lendo Tempo de chuva

A hora da estrela

Ali estava ela, iluminada pelos raios da manhã. Alva como o sol que a iluminava. As ondas de leve a traziam para a beira. Uma estrelinha branca que alcançou a praia pela primeira vez. Mas, dentro da casa, um vazio. Vazio dos filhos que se foram para nunca mais. A casa era fúnebre, destas que … Continue lendo A hora da estrela

O pecado mora ao lado. 

O chão da rua ainda estava úmido pelo sereno, mas, os raios de sol já desfaziam o frio da manhã. Na Avenida do Café iniciava-se o fluxo de pessoas apressadas para o café e para o trabalho. Nem tarde, nem cedo, era sete e meia. A normalidade do dia só era quebrada por uma moradora … Continue lendo O pecado mora ao lado. 

Pescador de pérolas

O vento fez silêncio ao observar Uma onda bruta e fria, o que trazia? Um corpo gasto reluzia Luar em neblina no mar Na mente faltou coragem Na venda faltou o troco Prato raso, peixe pouco Esmoreceu antes da margem (ou do topo) Morreu afogado o coitado Afogado de fome, mas, a falta que fazia … Continue lendo Pescador de pérolas

Cortei meu pé num caco de vidro – Da série: “Os brutos fazem que amam.”

(A arte traiçoeira da ironia) Não suporto mais esses políticos corruptos, gananciosos e desumanos. O meu maior sofrimento é proporcionado pelo sistema que nos prende em nossos empregos, para trabalharmos a vida inteira de madrugada até a noitinha… Com esforço fenomenal, concluímos duas faculdades, para continuarmos no mesmo cargo e função. Nós, que somos pobres, … Continue lendo Cortei meu pé num caco de vidro – Da série: “Os brutos fazem que amam.”

A "Casa das Nuvens" foi abandonada não se sabe por quantos anos e identidade dos últimos ocupantes também permanece um mistério.

Eternidade

Debaixo da telha vermelha-esverdeada: Um broto semi-protegido do furor e da temperamental vida que escorre pelas paredes. Sob a telha, ainda, se protegem as paredes, quase.   Uma família de tatuzinhos-de-jardim farream nas quinas dos caibros podres. Começa a soçobrar a casa. Seus cantos já dilacerados, alimentam o broto. É uma dor quase triste ou … Continue lendo Eternidade

Gota

A gota invisível na nuvem. Reunião de gotas em silêncio: A poça escondida atrás do encanamento. O vazamento na fissura. Mansa, contida, tímida, oculta no regaço do tempo: Marola vira macaréu.   Há sim, uma magia na cara dos caubóis terrosos, que vai além dos sulcos, da impermeabilidade. Na dureza de diamantes azulados, mira bem … Continue lendo Gota

Rueiro

Mais uma vez me engano Com sua densidade superficial Descarto meus fardos Para boiar nessa silenciosa obscuridade Eu que ia feito gato pulando poças Me afoguei no meu soluço. Faz parte da malandragem gatuna o ensejo, que quando em vez é anulado por uma tempestade leve. Destas que só arrupiam gatos caseiros. Gatos, vez em … Continue lendo Rueiro

O ranzinza 

-  A idade chega pra todos! E saiu cantando pneus o Chicão. Meu amigo de horas a fio. Fim de semana, enquanto a turma esperava a feijoada ao som de Clara Nunes, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Tim Maia, o Chicão estava a arrancar o que na mente dele era mato no quintal. Enquanto a … Continue lendo O ranzinza 

Praia do Flamengo, 1959.Foto/Crédito: Agência O Globo. Postal de propaganda da Coleção "Rio de Outros Tempos", publicada pelo Jornal O Globo, 2012

A beleza que surge do caos

O planejamento é a caixa de pandora, pois, nada evolui linearmente. O melhor rendimento de qualquer empreitada seria alcançado se fôssemos máquinas. O fator humano sempre se sobrepõe ao plano, à meta: Muitas vezes, o plano sofre fatal envergamento imposto pelo extremo:  vilania e condutas marginais. O século 21 teria uma civilização avançada e mais justa, se não fosse … Continue lendo A beleza que surge do caos

A noite me faz bem

Vez em quando escrevo à noite e me faz bem. Ideias frescas e imaginação solta. Queria por alguns instantes colocar seu par de olhos sobre a mesa e emprestar-lhe os meus. Desdenho a desfaçatez. Já rasguei a multa Furei o bloqueio Saltei do viaduto Fui informal, mas, solene. Já voltei pra mim. Porque essa sombra … Continue lendo A noite me faz bem

Tino e tato

Ao nascer somos expulsos de nós mesmos. O mundo nos absorve e dilui, enquanto tentamos agregar o mundo em nós. Com o passar do tempo e das inúmeras experiências, algo mais que cansaço pesa nos ombros.  É uma certeza de que o novo sempre vem, a brincar pelos quintais, sequestrando tatus-bola em caixas de fósforos, … Continue lendo Tino e tato

Predileção

A língua portuguesa é matéria prima valiosíssima. Quem as têm, em magnífica variedade, que as valorize, pois, palavras são como conchas. Passamos uma vida inteira colhendo-as. A maioria são acinzentadas, sem graça, bobas. Algumas extremamente belas, verdadeiramente impressionantes. Em seus meandros trazem histórias muitas vezes já esquecidas por nós. Ostras do profundo mar. Não pude … Continue lendo Predileção

E de si, o que há?

Arre! Todos os escribas e filósofos pro diabo! Que muitas vezes é preciso estar só com suas conjecturas. Remoendo suas vivências. Mascando fumo, pitando cachimbo, baforando o mundo. Não há tempo pra tarantismos ou rinhas de galo. Disputas de mestres do ar. Nem sempre se tem bom humor para o rumo. Quase nunca a poesia … Continue lendo E de si, o que há?

Uyuni

Na mochila, uma garrafa d'água, o livro e um pacote de bolachas. Deixei qualquer necessidade de internet para trás. Quando saí, o sol ardia na pele. Uma luz apocalíptica, surreal. Mas, vejo os dias se passarem, sem dar grandes importâncias. Estou caminhando faz uns trinta minutos. Devia ter trazido o celular. Quero chegar antes que … Continue lendo Uyuni

Rosa menina

Final de toda a fadiga, fadado, morto. Tem a mesma importância do broto Nascimento e morte nas capelas Traga de longe tuas flores mais singelas. Jasmim, palma, rosa menina. Mas, tenho incerteza na morfina. Se decidida eu estiver, será primavera! Um evento formidável findará a espera. Com bilhete de despedida e poesia, A fim de … Continue lendo Rosa menina

Doña Paz II

Tenho a sorte de manter todos os dentes na boca, quando já perdi as contas de quantas vezes me arrisquei por uma ideia, um orgulho bobo, uma tolice. Não me arrependo do risco.  Pior seria ter evitado a vida por uns dentes brancos, alinhados, conservados, que hoje, pouco aparecem. Que a vida é, meu amigo, … Continue lendo Doña Paz II

Para enriquecer

  Palavras de manganês aos cérebros de ferro.

Um café com Cosmas Indicopleustes

Hoje não quero ver o mundo, Que eu desconfiava que era plano. Me concentrarei, só por hoje, no abismo. Alcancei o fim do mundo e estou pendurada na linha, Trópico de Capricórnio. Imagino um resgate por albatrozes ou a linha arrebentando. Mas, escorrego lentamente para o abismo. O oceano, aqui no fim do mundo, Faz … Continue lendo Um café com Cosmas Indicopleustes

Retrato

Tem estações do ano que favorecem a observação. O verão é o auge do nosso agito sanguíneo e nos torna inquietos. É assim que exploramos novos caminhos em busca de refresco para os olhos d´alma. E, por isso mesmo, verão também é reencontro. Já estive aqui. Este lugar era uma formosura de flores amarelas, casas … Continue lendo Retrato

Mas, eram apenas mosquitos.

Daqui a alguns milhões de anos alguns macacos estarão discutindo algumas teorias sobre a extinção das espécies. Acharão que provavelmente os dinossauros tenham sido varridos por um meteoro que colidiu com a Terra. Mas, se perguntarão descrentes, como puderam, os homens sábios, que conquistaram a Lua e Marte, terem sido extintos por uma praga de … Continue lendo Mas, eram apenas mosquitos.

Soslaio

É mal dos que falam pouco, falarem muito com o olhar. E, por mais que queiram não serem ouvidos, quando magoados, gritam latentemente suas mágoas. Seu sorriso tímido, seu olhar úmido, otimizam as palavras afiadas. É mal dos que muito falam, não serem ouvidos. Pouco sentem estes, ocupados ou distraídos, falando. Umbigos dourados, egos fluorescentes. … Continue lendo Soslaio

DIZZINESS

Caminhas trôpego, cinza falecente, Solanum: jurubebas dos cambaleantes. Feito de sonhos e sons, antes. Fincas a foz, prantinas. Mentes? É assim que marcas o passo Amarrotas seda, arrotas cor. Mascara tule o amor? Tulipa carmim corta pulso? Olhas o alto azul beleza Em frente esqueces de ti mesmo Baixas a vista, vida atroz. Quando, um … Continue lendo DIZZINESS

Tico-ticos

Pra ofender, foi pra valer. Escolheu bem os termos, objetivamente. Como quem encomenda um terno, pra presentear. Se absteve de saber da cara de missa - do efeito... Mas, deveria ser mau trato, espezinhamento. Ouve o silêncio de missa se romper na discussão de tico-ticos disputando uma árvore. Vê da sua janela. E, de repente, … Continue lendo Tico-ticos

Umbral de zorates

Parafusos, fechaduras, ferrolhos... tesouros

Sobre ismos e cinismos

Sabe a expressão: "Fulano de tal nasceu a frente de seu tempo"? - então, pode voltar pro seu tempo normal se tiver nascido em um regime comunista. São os interesses coletivos que contam. Visionário em terra de "igualdade" é cego. (...)

A seca do quinze

Pelas praças, praias e proas: o pranto Sincero. Daquele que olha e não reconhece Sangra um rio vermelho de lama, peixes e prece Pede teu olhar sensível e desencanto. Pois, desencantar é mais que perder a esperança É menos do que espera o consumista Talvez seja encarar a realidade derrotista Ou singularmente, penosamente, dançar a … Continue lendo A seca do quinze

Pianíssimo

Minha mente trabalha feito piano de cauda. Vem, senta aqui comigo e toca uma música. Que o silêncio é bem vindo quando não perdura mais que o tempo da poeira, da teia, da saudade. Que piano em silêncio é abrigo. Mas, só é inteiro quando preenche o silêncio.

Síndrome da mula manca

Sempre somos as vítimas. Quem é mais vítima: o cidadão de bem que à duras penas, se beneficiando de uma negociação com vantagens em impostos, compra um carro e mesmo sabendo dirigir é obrigado ainda a "comprar" sua carta de motorista, ou, o cidadão de bem que na calçada é atropelado? É fato que, se … Continue lendo Síndrome da mula manca

Príncipe

Mundo feito de almejos rasos. Era dos andróides carentes de constelações. O silêncio é o poeta príncipe, a luz das catacumbas adormecidas em flores. É o sorrateiro que afaga meus cabelos. Sussurrando. Sinto sua pele cristalizando a minha. Rarefeito. Raro. Vazio. Ouço minha respiração lentamente diminuir. A dor no peito amarrando o coração. A folha que não cai. … Continue lendo Príncipe

Viagem Fantástica

Entrei nas entranhas do assassino soberano. Sob sua pele havia fogo, lava e ácido. Mergulhei em seu suco gástrico, enjoei...   Subi pelas paredes imundas, de seu estômago, queria alcançar sua garganta comprimida, onde ele, o assassino soberano, sufoca suas palavras.   Ao esfregar-me em seu esôfago, vomitou-me. Mas, me agarrei à sua goela feito … Continue lendo Viagem Fantástica

Doña Paz

Livre. Sem nós pra barco amarrar, Descomedido seja, quero nunca saber dos cingidos laços de matar e morrer - Lugar de barco não é cela, é mar! Sobre o horizonte deslumbrante Estendido está o manto estrelado O barco segue seu rumo, carregado De memórias, regalo leve, espumante Vento litorâneo sussurrando se despede, Desinteressado lamurio, saudoso … Continue lendo Doña Paz

Vida curta – Terceira história e meia

Cinco peixinhos no lago do Ibirapuera. Cinco peixinhos num saquinho de plástico. Já em casa, em uma bacia de plástico. À pão e água. Dia seguinte, dois boiando, mortos. Segundo dia, mais dois. Restou apenas um peixinho. O mais forte, o mais belo, a quem chamei de Hércules. Ele aguentou bem mais. Um guerreiro. Quando morreu … Continue lendo Vida curta – Terceira história e meia

Vida curta – Segunda história

Trabalho de escola na casa da colega. Ao chegar lá, bem recepcionados, os quatro sentam no sofá. A mãe dela serve guloseimas e refrescos. Nos mostra a casa. Nossa colega exibe seus animais de estimação. Um gato e um passarinho. O gato arisco, arranhou um de nós e sumiu. O passarinho, livre, adestrado, voava por todos … Continue lendo Vida curta – Segunda história

Vida curta – Primeira história

O passarinho filhote que pia no telhado. Dia de chuva forte. Raios e trovões. A criança dentro de casa o vê e se desespera. Pede para mãe ajudar a salvá-lo. A mãe, estabanada, sobe na escada com uma vassoura nas mãos, a fim de alcançar o piador no telhado. Embaixo a criança espera o filhote cair, com … Continue lendo Vida curta – Primeira história

Urubu albino - Imagem da Internet

Amigos

O menino criava um urubu. O urubu foi apelidado de Sophia. Sim, Sophia, afinal, por que tinha que ser um urubu macho? Mas, as únicas semelhanças com a Loren é que o urubu não era bom em atuar, e, tinha esse olhar lânguido, jeito de que caiu terra nos olhos, olhar debruçado na janela do … Continue lendo Amigos

LIEBSTER AWARD

Fui indicada pela Lu Marinho (Luciene Marinho), do blog Um palco de teatro , a responder a TAG: LIEBSTER AWARD, e agradeço pela indicação. Em dezembro o blog Mira Certeira teve a indicação LIEBSTER AWARD E INFINITY DREAMS – PRÊMIOS E HOMENAGENS. Como de lá para cá pouca coisa mudou, parte das respostas serão copiadas... Vou a seguir … Continue lendo LIEBSTER AWARD

Pandora (1896) John William Waterhouse

Pandorama

Estátua belíssima, lhe sopraram a vida Um toque de capricho, de cada deus herdou Com seus pezinhos delicados transitou a terra No lar dos mortais, encontrou seu lar. Debaixo dos braços trazia Um jarro, que se não devia, a sua natureza curiosa a fez abrir. Derramou sobre os humanos, todos os males. Menos um, que … Continue lendo Pandorama

Que país é esse?

Estive presente dia 15/03/2015, na passeata que ocorreu na Av. Paulista, São Paulo - SP. Nunca tinha visto tanta gente junta em minha vida. E, foi uma mobilização relevante, não só em São Paulo ou no Rio de Janeiro, mas, no país inteiro. Se tudo aquilo era elite, o país está muito bem, obrigada. Por outro lado, … Continue lendo Que país é esse?

O mulambinho

Tenho grande apreço pelas coisas minúsculas e seus movimentos incalculáveis. Imagináveis. Elas sempre me surpreendem, pois, esses seres muitas vezes amorfos, tem grandes semelhanças conosco, os dotados de raciocínio. Está em mim, desde pequena, observar o que eu chamava de ovo de formiga, quase microscópico, por exemplo. Eu, entre tantas "biólogas" com nove anos de … Continue lendo O mulambinho

Vento no mar

Sim, tudo cansa, desgasta, envelhece. As canções que nunca serão ouvidas. As frases que nunca serão ditas. Os beijos ao vento. Vento, vem suave, pelas marginais, margeadas de arco íris Mareadas. Ando de mansinho, beirando, deslizando, sorrindo. Vez em quando finjo não ver o naufrágio em águas claras. O saturado de realidade que inebria as minhas … Continue lendo Vento no mar

Eis a Lupita

Olhar 43º – canto de olho

Não é muito fã de arreganhar os dentes para a vizinhança. Modestamente cumprimenta. Mas, o olho sempre acusa o que lhe vai na cabeça. E seu olho fulmina nesse instante o raparigo, projeto de “Latino lá no meu A.P.” sem anabolizante, de uns quatorze anos, que abre lentamente o portão. Leitura visual, relatório completo: Pezão de … Continue lendo Olhar 43º – canto de olho

Meus heróis morreram de overdose

Nesta época lisonjeira, em que todos incrivelmente, influenciados, se tornam um pouco humanos, venho justamente falar sobre nosso pingo de humanidade e de princípios moldados ou não de acordo com o que se julga importante nos dias de hoje. Do heroísmo que surge de acordo com a situação. Ou mesmo, pessoas que se reúnem para … Continue lendo Meus heróis morreram de overdose

LIEBSTER AWARD E INFINITY DREAMS – PRÊMIOS E HOMENAGENS

Não sou muito adepta a correntes... e muito desconfiada de prêmios... ano passado alguns blogs que muito prezo, me indicaram para o tal prêmio... agora, depois de refletir um pouco, entendi que o "prêmio" não é um objeto material ou uma mera corrente de "fé" sem base ou lógica. Não é rasgação de seda. E … Continue lendo LIEBSTER AWARD E INFINITY DREAMS – PRÊMIOS E HOMENAGENS

Perambeira do abisso

Aquele que atravanca a rua da vida. Que sorrateiramente te enlaça, te envolve. E sem notar, você começa a limitar os passos. Mais longe, não. A negação de tudo aquilo que pode te fazer mal, instinto primitivo que te impele à preservação de si. Ele é “não”. Não ao desconhecido, ao incerto, à ousadia, à … Continue lendo Perambeira do abisso

Solidões

E nesse momento em que acorda embriagado De estrelas,  sóis e algum tipo de amor próprio, Esfrega os olhos,  põe o uniforme social, Pega o transporte surreal,  trampa a arritmia cotidiana, E quando quase morre, se despede e volta. Em seu estágio off time, vê a chuva cair. E, eu aqui, tentava apenas, escrever algum … Continue lendo Solidões

Ordem e Progresso

Aos amigos blogueiros, e a todos que porventura passem por aqui. Independentemente de quais sejam suas convicções políticas, quero apenas expôr algumas de minhas percepções. As manifestações que vi nos últimos dias em São Paulo e por todo o país, trazem além das justas reivindicações do povo, as bandeiras de seus respectivos Estados e a grande … Continue lendo Ordem e Progresso

Memórias – Estação de trem

Certa de que o mundo é uma estação de trem lotada. Um labirinto vivo onde as eras se fazem de concreto. Sem atalhos, apenas meia saída. Respirando o ar da manhã úmida, no labirinto onde lábios sempre estreitamente se velam, se roçam, mas, verdadeiramente, nunca se tocam. Contempla uma solidão de alfazemas sob o pôr … Continue lendo Memórias – Estação de trem

A S A S

Crianças brincam na lama formada pelo sumo da mandioca prensada, que vai virar farinha. A farinhada já quase termina. À farinha fina torrada já se fez. Sob a luz da lua elas se banham com a lama e cantam cantigas de roda. Todos seus sentidos voltados para a terra, como se arcadianas fossem. Em algum outro … Continue lendo A S A S

O ipê pelado

Ele enfiou na cabeça a ideia de que era um ipê amarelo. Todo setembro forçava, forçava e nada. Até que um dia, o esforço o deixou inteiramente pelado. E florido. Acreditou tanto que era um ipê, que hoje, ninguém mais diz o contrário. Todo setembro, faz tapete de flor amarela no meu quintal. E folhas. … Continue lendo O ipê pelado

Pablo Picasso

Da valsa

Da valsa e dos meus tropeços tu me perguntas: Valsar? E eu, sem mais delongas deixo fluir-me. Sim, valsar. Sem vergonha, sem desesperos, sem pudores. Quem não perde mais o ritmo, quem não mais tropeça, é porque apenas anda. Lentamente. Parado - muda valsa plúmbea. 

Um círculo de cimento queimado

Década de 70. Um jovem resolve sair de sua pequena cidade litorânea, onde nascera e se criara, no nordeste, a fim de conhecer o mundo. Passou por várias cidades, foi mascate, padeiro, marceneiro... cada cidade uma profissão. Alcançou São Paulo, carregando em si os almejos de um principiante na vida. Sonhos distintos, diferentes dos sonhos … Continue lendo Um círculo de cimento queimado

Conto hoje a história das marés

E que ontem, sibilino, me cortava ao meio, o caminho extenso. Por entre ramas molhadas e riso tenso. Num sofrimento de alfazemas frescas Que se sobrepõem às curvas do rio Que era meu caminho. Caminho do mar. Esparramando linhas vazias, sigo O último lastro que me deixou, ontem, sibilino. E, unindo todas as ramas, as … Continue lendo Conto hoje a história das marés

A matuta e o filósofo budejante

Na pracinha, um senhor puxa conversa. Jornal aberto, diz pra mim que o mundo desmantela o ser - carros se espatifam, obras despencam, gente se acabando por coisinhas bestas, fáceis de endireitar. Que não basta o fedegoso, carrapicho esculhambando tua plantação. Minha filha, uma palavra torta, já vão tocar a bomba,  danou-se. Adubou erva-daninha. Não … Continue lendo A matuta e o filósofo budejante

Telepatia de um vôo

Às vezes não sou centro. E nem periferia. Sou um lugar não mapeado. Não sou ponto turístico, nem paisagem. Nem viagem. Às vezes, raras vezes, sou só o tato. Um canto selvagem, no fim de uma estrada de terra. E, talvez seja  porque não tenha os pés no chão, às vezes... Perco a trilha.. E, … Continue lendo Telepatia de um vôo

Serena

Serena na noite, serena. Apóia o universo sobre as mãos. Pensa, pensamentos longínquos, sobre coisas tão próximas. Estira os braços longos, e, num gesto sofrido, abraça o mundo. Serena - A noite abre a cratera, onde seus sonhos se acham. Perdidos. Um samba em prelúdio cerca. Mas, é chegada a hora do parto. Abre os braços longos, … Continue lendo Serena

Movimento estrábico

O formigão, freneticamente corta o mundo. E penso na razão dessa incursão. Movimentos rápidos, o coisinha elétrico, não pára. Deve ser dor. Não essa dor de fome ou de revolta. Não é essa dorzinha pimenta que te faz ir por ir. Penso que, cortar o mundo deve ter algo de nobre. Sobreviver. Se a dor … Continue lendo Movimento estrábico

Pra não dizer que não falei da COPA

Quando criança morei num bairro tranquilo, arborizado, com casas antigas, mas, bem cuidadas. Numa dessas casas uma senhora montou um salão modesto e muito frequentado. A maioria de suas clientes eram japonesas idosas. E, quando eu voltava da escola ou estava de bobeira e resolvia comprar picolé na padaria, passava pela casa dela. Às vezes, curiosa, … Continue lendo Pra não dizer que não falei da COPA

Out door

Vi o poeta da vela, da lamparina, da lâmpada, das fibras opticas. Até vi o poeta do saco de pão. Se contorcendo, doendo, vomitando.  Às vezes só desenhando versinhos de primavera pro seu amor. E quando ele, o poeta cru, espelho meu e seu, preenchia folhas, linhas, muros, eu viajava com ele para qualquer lugar que seu sumidouro … Continue lendo Out door

Vento no mar

Eu sinto tanto, em mim. Tanto que não sei quantas taças me embebedaram. Mas, foi um trajeto consciente, eu ergui todas elas, como um nirvana. E quando o alcancei, apenas me lembrei da primeira vez que vi o mar. O mar? Onde eu vivo. É lá que tenho toda a escuridão e toda a luz. … Continue lendo Vento no mar

Tombstones

Tu que conheces o mundo podes me dizer, onde morreram as flores? Foram nas lápides dos poetas utópicos? Morreram no esquecimento, as flores e os poetas? Ou viraram slogan de um comercial? Ainda ontem eu trazia em mim um encanto ingênuo, das flores. Percebi que a terra engole a todos, utópicos ou não. Queria ser … Continue lendo Tombstones

Entre lobos e hienas

Deixada na floresta, ainda criança. A natureza voraz nos surpreende sempre, em meio a todas as intempéries, a criança cresceu, adotada por lobos e hienas. Aprendera todas as artimanhas daquelas duas espécies, mas, sempre soube que era adotada. Não se prendeu às matilhas, pois, sua natureza voraz à tornava inquieta, exploradora e destemida. A floresta … Continue lendo Entre lobos e hienas

Bem TV

Vim ver. Viver. Tranqueiras e relíquias. Perdi a chave ou fui trancada dentro? Bem-te-vi, antes de tudo Espalhas teu canto por aí E me vejas a ver-te, vi: Beijas o vento, catas a areia, sopras o sol Apagou. Não procuro mais a chave. Não me sinto trancada. Não me sinto. Vim ver meu bem. Te … Continue lendo Bem TV

Novelo

Tu, que vives, sabes melhor que eu. A vida é um novelo emaranhado Que termina tramado ou estirado Na trama a que se rendeu Presente e passado ao futuro formam Cheios de fuxico e pressa E na derradeira hora, a que nos interessa Estradas veladas a seus nós entornam. Na solidão e vistas grossas Te … Continue lendo Novelo

Um minuto eterno

Estava tão feliz com sua vida, que compraria comes e bebes, pra comemorar. Nesse trajeto, uma bala que se sentia perdida, acertou em cheio sua cabeça. O sangue rapidamente começou a fugir daquele corpo. Mas, ele não sentia dor, não sentia nada. Teve um minuto eterno pra refletir. E, a primeira reflexão foi da frase … Continue lendo Um minuto eterno

Para Mar

Mar, aquilo que é exposto, bate na face, arde na pele, dado, ousado, raivoso e em certas horas, um bebê que dorme ao som dos pássaros. E, lá no íntimo marítimo de conchas, corais e algas, ele guarda seus mistérios. Canal lacrimal da terra, que ri para as orlas e dentro de si guarda todo … Continue lendo Para Mar

Réquiem

Graciosos. Em estado de graças. Eles inocentemente se vão. Inocentes em âmbar. Com suas melhores roupas de festa. Com os lábios corados e os semblantes firmes. Envoltos por amigos e inimigos Todos, sem exceção, falam de seus feitos bravios. Enaltecem suas insignificantes glórias. Honrarias, presentes, recordações. Neste momento de paz em âmbar Eles, os inocentes, … Continue lendo Réquiem

Luvas

Não sei ao certo como estas coisas acontecem. Acontece de se saber sem ver. E, neste momento sei, é mais uma vez, o meio de um dia, como outro qualquer. Lá fora faz frio. Pego meu casaco de camurça. Chove, e a chuva tosca deu uma trégua, a trégua que eu precisava, para almoçar. No … Continue lendo Luvas

Fome

Jiló frito no azeite e alho Quiabo refogado com limão, Berinjela cozida e cortida no vinagrete Maxixe cozido na água e sal Salada de agrião Tudo isso que te desafia Que te contraria Que não tem mata nem aleija Mas, te fazer sentir, sentir-se vivo. Qual a sua fome? Qual a minha fome?

Flor singela

A vista era muito bela e pacata. Num sol de meio dia, a pino, arvorezinhas medianas garantiam as sombras das poucas aves que se atreviam. O chão, forrado de folhas que escondiam um solo sofrido, de areia ora branca ora cinza. Frutas que se esparramavam fazendo lama sob as tais arvorezinhas medianas... E, lá ao … Continue lendo Flor singela

Vital e sua moto

Juntei. Trocados de bala, de cerveja, da feira, do mercado. Das caixinhas de natal, do ano novo, da páscoa e até do dia dos namorados. Quase saí no tapa com meu patrão que queria surrupiar minhas moedas. Fiz hora extra de tênis furado, roupas de trapo. No almoço e janta: lanchei. (...) tá vendo aquele estádio moço... O … Continue lendo Vital e sua moto

Um passeio ao zoológico ilógico.

Hoje, não tem poesia. Nem prosa. Vou ao zoológico uma vez por mês. Como sempre, o inferno é lá. Trago comigo uma lista na esperança de me livrar brevemente do castigo. Em vão. Logo de cara, um cidadão em reunião com a trupe, discute no meio do corredor estreito, com dois carrinhos atravessados, se Camil é … Continue lendo Um passeio ao zoológico ilógico.

Aqui jaz

O bobo da corte O ferreiro O tanoeiro A vendedora de figos O maquinista O leiteiro O fotógrafo lambe-lambe Entre tantos outros, Eu, o poeta. Aqui jaz em blues.

Catarse

Cemitérios, caveiras e cruzes? Trevas, tristezas? Ou luzes? Nos castelos sombrios e brumas cobertas de sóis Nas redes vazias e bordas marítimas cobertas de anzóis Uma procissão de urubus, corujas, beatas, vulgo senhoras Velam por nossas horas. Procissão essa, agourenta Que ora vê, outra, inventa! Mas, aprendi a me safar, sozinha, enfrentei. O meu caminho … Continue lendo Catarse

O problema de quem vê demais é de quem vê de menos

A menina que via seu já falecido avô se balançando na rede da cozinha e chamando-a, também, às vezes, via um bruxo de turbante mexer um caldeirão ao pé da sua cama, enquanto ela tentava dormir. O que achava mais interessante é que o bruxo, o caldeirão, a colher de pau, o turbante – tudo … Continue lendo O problema de quem vê demais é de quem vê de menos

Chuva no molhado

O deseirado Nibelungo

Meia-noite. Um Nibelungo regado à vinho olha pela janela borrada e pergunta à chuva: - Por que chover no deserto? Pra lavar o céu? Pra criar um oásis? E esperas a recompensa em miragens? Diz baixinho a ela: Chova no molhado! Crie rios, lagos e poças... Eles sim te conduzirão ao infinito. Não perca o tesouro … Continue lendo O deseirado Nibelungo

O aviador

O colégio onde estudei, assim como todos, tinha a divisão de turmas. Os alunos do jardim de infância, pré-escolar, tinham aulas no prédio mais baixo da escola, que dava acesso à quadra. Quando ingressávamos no primeiro ano escolar, nos colocavam no principal prédio e nos apresentavam as instalações da escola. Nessa escola tínhamos um diretor, … Continue lendo O aviador

O meu tempo

Manhã morna, cheiro de alecrim. Caminhar assim é valsar nos jardins do Belvedere Trianon. As botas do menino leiteiro são grandes demais! O menino dos jornais também ri. Ferveção modesta de um dia que se inicia Com chapéus apressados, homens de bem. Cumprimentam-se, tomam café, acendem seus charutos. As moças como eu, muito justas, apesar … Continue lendo O meu tempo

Solilóquio de um pássaro extinto

Eu, que às vezes me rompo em espasmos, sentindo dores e palpitações, enrubescido, percebo que está tudo tão diferente. Emudeci. O caminho é o mesmo. As luzes que o contornam possuem as mesmas matizes. Ao longe os pintassilgos coroinhas esboçam a felicidade de seus ninhos repletos de aconchego. Uma nuvenzinha passa também ao longe, em … Continue lendo Solilóquio de um pássaro extinto

Pseudoartes

Já passei umas raivinhas com livro bom, mas, com certeza não foi a raiva de terminar o livro mais vazia do que iniciei… Mas, livro ruim… uma forma fácil de identificá-lo: é aquele que está na moda, aquele que todo mundo corre nas livrarias pra comprar e pedir um autógrafo. Aquele que te deixa com … Continue lendo Pseudoartes

Zé Bento

Zé Bento, mais conhecido como Zé Lento. Carioca com alma de mineiro - espírito de baiano depois do almoço. Tinha uma namorada, a mãe rogou uma praga. A moça ficou careca e Zé Lento ficou sozinho de novo. Ia da mecânica, onde trabalhava, pra sinuca. Tomava todas - as coca-colas do bar. Da sinuca pra … Continue lendo Zé Bento

O grande hotel

Passou um filme esta noite. Um filme em minha cabeça. Sonhei. É raro lembrar-me de sonhos. Mas, este não foi um sonho, foi um filme. Li seu roteiro como se uma poesia fosse. Em meu sonho, assistindo ao “filme”, eu tinha um roteiro em minhas mãos. Estranho. Já sonhei outras vezes em forma de desenho, … Continue lendo O grande hotel

Presente

Batem à porta. Mas, ainda é cedo. Muito cedo. Os raios de sol ainda nem riscaram o céu. O mundo dorme num silêncio profundo. Olho as horas, mas, não as enxergo. Muito sono. Levanto-me zonza, descabelada, não dá tempo de me arrumar. O inconveniente insiste, punhos à porta. Suas batidas são ritmadas. Com uma mão … Continue lendo Presente

Um minuto de silêncio

Sexta, lua cheia, já comprei o vinho. Mas, antes, façamos um minuto de silêncio: Pelo violão que perdeu uma de suas cordas. Pela criança atravessou a rua e não chegou ao outro lado. Pela cadeira da cozinha que está desparafusando. Pelo padeiro que quer morar na Espanha só porque torce para o Barça (?!) Pelo … Continue lendo Um minuto de silêncio

A onça

Foi longe demais, quase perdeu seu caminho. Percebeu o peso do tempo que perdeu nessa caminhada. Agora, ela regressa, arranha a porta que se vê lacrada, de um mundo que deixou para trás. Mas, ela insiste, rosna, se joga contra a porta, que cede. E, cansada, entra no seu mundo, na sua casa, na sua … Continue lendo A onça