A miséria humana

Há coisas que compreendo e outras que apenas, aceito. Não compreendo fazer filhos que não possa criar. Não aceito que exista algum prazer em furar fila. Não compreendo o estar sem ser. Não aceito o ser, ser e não estar. A miséria humana é algo visível, inaceitável e por vezes, incompreensível. Como aqueles que aos … Continue lendo A miséria humana

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Entre nuvens

Assim parado no céu Entre duas nuvens Os transeuntes parando para ver Os transeuntes se esbarrando nos que parados, viam. Os trombadinhas trombando, tinham mais o que fazer. O trânsito engarrafou. Quase todos embasbacados com aquela aparição. Por um minuto esqueceram da vida. Esqueceram do câncer a ser tratado. Perderam o foco da entrevista de … Continue lendo Entre nuvens

O milagre

Chet Baker's trumpet, Los Angeles, 1953 Esses dias em que pede pra morrer dormindo, dias estranhos. Ele saiu resmungando, passou a mão no boleto sobre a mesa, andou algumas quadras e pegou um transporte público em direção ao shopping. O sol que batia no vidro da janela refletia bem sua cara de massa azeda de … Continue lendo O milagre

A fauna do deserto

  Josias mora numa casa pequena e velha, de alvenaria, sem reboco, telha de amianto, chão de terra. Ele, sua velha, filhos e netos. Não acompanhou essas modernidades que já fazem parte de nossas vidas. Não sabe o que é internet, tem pavor. Seus filhos já tentaram inúmeras vezes mostrar ao pai como ele poderia … Continue lendo A fauna do deserto

Um círculo de cimento queimado

Publiquei este texto em 24 de agosto de 2014. Republico, em homenagem ao meu pai querido José Maria de Vasconcelos que faleceu hoje. A única pessoa da "família" que, apesar da distância, eu realmente me importava, porquê soube ser gente de verdade.  Década de 70. Um jovem resolve sair de sua pequena cidade litorânea, onde … Continue lendo Um círculo de cimento queimado

Pra não dizer que não falei das flores

É exatamente por causa da imposição absurda dessa nojeira que ousam chamar de arte que não tenho menor sensação de que foram censurados os gênios da exposição do Santander (http://g1.globo.com/tudo-sobre/banco-santander-sa), exposição "atacada nas redes sociais", assim como as literalmente exposições teatrais "anais" de outrora. Segundo o dicionário do deus Google: Censura é a análise, feita … Continue lendo Pra não dizer que não falei das flores

O estrangeiro

Primeiramente, pobre, muito pobre. Muito ralo o caldo, sem sustância. Mas, não poderia abandonar e esculhambar sem experimentar. Mergulhei no caldo ralo, e, aos poucos, a panela levantou a fervura, mas, não engrossou o caldo. Para que me entenda melhor, quando o enredo o trouxe à berlinda eu queria que escapasse de cumprir anos de … Continue lendo O estrangeiro

Salgado

  O chiclete que perdeu o sabor? Chegou a hora do descarte. De um momento  para o outro todas suas certezas terão se tornado algodão doce sob a chuva. Implacável é a vida no quesito reviravolta, vida doce meu amor, tal como rapadura. Aquele que te admira hoje, amanhã estará te comparando. Você, que já … Continue lendo Salgado

Sobre omeletes, galos e quintais…

Nenhuma galinha bota o ovo podre. Ovo galado ou não sempre será vencido pelo tempo. Tem coisa mais fétida e inevitável do que a morte? O pinto, o galo, derrotados. A vida deve de ser uma busca incessante por um aconchego? Um teto que lhe proteja dos sol e chuva. Uma banheira quente ou uma … Continue lendo Sobre omeletes, galos e quintais…

Diga xis

Ah, a foto. Um dia faziam pose, de cócoras na beira do lago do Ibirapuera e os que viam sarreavam de suas origens, pois, parecia um padrão, um código dos cafonas, coisa de jeca. De lá pra cá os tipos de gestos foram ampliados e aderidos pela maioria.  Quase todo mundo tem um preferido. O "v" ou a … Continue lendo Diga xis

Tempo de chuva

Ele nunca percebeu a real utilidade daquelas datas. Considerava todas elas inúteis tal como o facão que riscava repetidamente a seringueira. Sua memória seletiva só guardava o que considerava sublime, valoroso, útil, único. Sabia a hora da chuva, do beijo dos sapos, da folia dos girinos. Sabia que o tempo nunca poderia ser realmente medido, … Continue lendo Tempo de chuva

A hora da estrela

Ali estava ela, iluminada pelos raios da manhã. Alva como o sol que a iluminava. As ondas de leve a traziam para a beira. Uma estrelinha branca que alcançou a praia pela primeira vez. Mas, dentro da casa, um vazio. Vazio dos filhos que se foram para nunca mais. A casa era fúnebre, destas que … Continue lendo A hora da estrela

O pecado mora ao lado. 

O chão da rua ainda estava úmido pelo sereno, mas, os raios de sol já desfaziam o frio da manhã. Na Avenida do Café iniciava-se o fluxo de pessoas apressadas para o café e para o trabalho. Nem tarde, nem cedo, era sete e meia. A normalidade do dia só era quebrada por uma moradora … Continue lendo O pecado mora ao lado. 

Pescador de pérolas

O vento fez silêncio ao observar Uma onda bruta e fria, o que trazia? Um corpo gasto reluzia Luar em neblina no mar Na mente faltou coragem Na venda faltou o troco Prato raso, peixe pouco Esmoreceu antes da margem (ou do topo) Morreu afogado o coitado Afogado de fome, mas, a falta que fazia … Continue lendo Pescador de pérolas

Cortei meu pé num caco de vidro – Da série: “Os brutos fazem que amam.”

(A arte traiçoeira da ironia) Não suporto mais esses políticos corruptos, gananciosos e desumanos. O meu maior sofrimento é proporcionado pelo sistema que nos prende em nossos empregos, para trabalharmos a vida inteira de madrugada até a noitinha… Com esforço fenomenal, concluímos duas faculdades, para continuarmos no mesmo cargo e função. Nós, que somos pobres, … Continue lendo Cortei meu pé num caco de vidro – Da série: “Os brutos fazem que amam.”