A seca do quinze

Pelas praças, praias e proas: o pranto
Sincero. Daquele que olha e não reconhece
Sangra um rio vermelho de lama, peixes e prece
Pede teu olhar sensível e desencanto.

Pois, desencantar é mais que perder a esperança
É menos do que espera o consumista
Talvez seja encarar a realidade derrotista
Ou singularmente, penosamente, dançar a dança.

Do que sei: o quinze secou minh’alma
Minha gana, meu furor, meu desejo insano.
Drenou meu pranto e minha esperança!

Do que sei? Que me verás nada calma
Numa promessa de renovação em novo ano
Dançarei sim, cabeça erguida, a minha dança.

Que 2016 seja um ano melhor.

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13 comentários sobre “A seca do quinze

    1. Oi Mariel, comecei o ano muito bem com tua passagem por aqui! A hora que quiser, estarei pronta pra ler sua história de “opalão” hein?!
      Teremos sim um ótimo 2016! Caminharemos mais juntos.
      abs

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  1. Sob inspiração de sua pérola, compus neste exato instante:

    BALADA DO TRIPLO CAMINHO

    Totem verde e petrificado,
    Estante ao raio hipnótico,
    Se abre ao buraco caótico
    No caminho tão ressequido.

    O olhar sertanejo psicótico
    Fixa-se, inerte, trincado,
    Em um horizonte narcótico,
    Ao fim do caminho esquecido.

    Ao andar, assim, quase robótico,
    Diz-lhe o Destino, tão retórico,
    Que a Morte não é só ditado
    Na boca do caminho vivido.

    (Júlio César Coelho – Ebrael, 01/01/2016, 16:13)

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    1. Show! 10! Adorei Júlio! Tua veia jorra poesia. Estou muito grata por deixar por aqui um pouco de ti.
      Tenha um 2016 de inúmeros motivos alegres para tuas poesias.
      Um grande abraço.

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        1. “É melhor ser alegre que ser triste
          Alegria é a melhor coisa que existe
          É assim como a luz no coração
          Mas prá fazer um samba com beleza
          É preciso um bocado de tristeza
          Senão não se faz um samba não” rs

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    1. Olá José Horta, sim, com certeza, talentosíssima conterrânea minha. Um dia a alcanço (rsrsrs).
      Tentei fazer aqui, também, uma referência à seca, à miséria, do passado ano de 2015. É que pra mim, por tudo o que vivemos, lemos, assistimos sobre nosso país, em 2015 o Brasil secou em todos os sentidos, cultural, ambiental, moral, humano…
      Mas, um ano novo se inicia, quem sabe, com mais alegrias do que “secas”.

      Feliz ano novo!

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Há quem leia com a rapidez com que olha, e conclua sem ter visto tudo. (F. Pessoa - L.D.) - Vistes?

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